4 min de leitura em voz alta · idades 3–7
A nuvenzinha sonolenta
Bem no alto do céu da noite, onde as estrelas começavam a aparecer, flutuava uma nuvenzinha chamada Wisp.
Wisp era macia, branca e redonda, como um bolinho de algodão. E Wisp tinha um trabalho importantíssimo. Toda noite, Wisp flutuava devagar sobre a cidadezinha de Hush, para ajudar todos a se preparar para dormir.
— Hora de começar — disse Wisp, com um bocejo. — Flutua, flutua, flutua.
Primeiro, Wisp passou sobre a padaria da esquina. A padeira tinha acabado o último pão do dia e limpava a farinha das mãos.
Wisp espalhou uma névoa fresca e suave sobre o telhado. Shhh. A padeira sorriu e se sentou. — Nossa — disse ela —, que noite tranquila e aconchegante. Desligou o forno e foi se deitar.
Depois, Wisp passou sobre a escola da colina. Lá dentro, tudo estava quieto e arrumado, com as cadeiras encaixadas e os desenhos nas paredes. A escola já dormia. Wisp deu uma batidinha suave nela e seguiu em frente.
Então Wisp passou sobre uma casinha azul com uma janela redonda. Na janela, uma menina chamada Mina olhava as estrelas. Ela estava com o ursinho nos braços.
— Olá, nuvenzinha — sussurrou Mina.
— Olá, Mina — disse Wisp, com uma voz de pluma. — Já é quase hora de dormir. Quer me ver flutuar?
Mina fez que sim. Wisp atravessou devagar a janela, para dentro e para fora, para dentro e para fora, como uma respiração grande e suave.
— Respire comigo — disse Wisp. — Para dentro… e para fora.
Mina inspirou. Mina soltou o ar. O ursinho subia e descia com ela.
— Para dentro… e para fora.
As estrelas piscavam, lentas e sonolentas.
— Você está indo muito bem — disse Wisp. — Agora, mais uma coisa. Vamos dar boa-noite ao dia. Qual foi a sua coisa favorita de hoje?
Mina pensou. — O parque — sussurrou. — E os patos.
— Boa noite, parque — disse Wisp suavemente.
— Boa noite, patos — sussurrou Mina.
— Boa noite, Mina — disse Wisp.
— Boa noite, nuvenzinha.
Mina puxou o cobertor e aconchegou o ursinho. Os olhos estavam pesados, pesados como pedrinhas mornas. Ela soltou um bocejo grande e lento.
Wisp seguiu flutuando sobre os telhados de Hush, um por um, com um suave shhh, uma névoa delicada, um silêncio fresco e tranquilo. As janelas escureceram. As luzes se apagaram. A cidade inteira ficou em silêncio.
Por fim, Wisp subiu, subiu, subiu ao céu da noite, passando pelas estrelas cintilantes, até ficar bem ao lado da lua.
— Todos estão dormindo — disse Wisp, com um bocejo enorme. — Meu trabalho está feito.
— Muito bem, nuvenzinha — disse a lua.
Wisp se enrolou, macia, branca e redonda, no céu azul e tranquilo. As estrelas piscaram de sono. A noite ficou calma e profunda.
E lá embaixo, na cidadezinha de Hush, todos dormiam, e Wisp também dormia, flutuando, flutuando, flutuando na noite suave.
Fim.